11 de jul de 2017

Como Deuses Pagãos viraram o Diabo Cristão

O diabo, para muitos, representa um ser com a função de promover na Terra o mal absoluto. Para o cristianismo, ele seria a origem de todas as desgraças existentes no mundo e também compreendido como o anticristo. Um ser capaz de corromper a humanidade de todas as formas possíveis.

O diabo cristão não só tem formas antropomórficas, mas também desejos, sentimentos, atitudes, e até ideais. Essa figura é recheada por lendas e mitos, e para muitos estudiosos trata-se de uma representação elaborada a partir das características de deuses pagãos do “Velho Mundo”. Ou seja, é visto como uma construção simbólica.




É interessante dizer que a imagem do diabo foi elaborada a partir dos elementos representativos de crenças de outros povos e sociedades, e que nada foi elaborado de maneira original quando distinguimos os elementos teológicos ali embutidos. Pelo contrário, o diabo enquanto ser mitológico surgiu de uma coleção de mitos, símbolos, e superstições de crenças da Antiguidade.

Com o crescimento do cristianismo, os cristãos, outrora perseguidos, passaram a ser os perseguidores. Para justificarem os seus preconceitos e limitações morais, procuraram demonizar os deuses das antigas religiões pagãs. Pouco a pouco, o diabo passou a ser vinculado aos antigos deuses e a ter uma forma física como: pés de animal, asas de morcego, rabo de boi, garras afiadas, enormes dentes, olhos grandes e ameaçadores, chifres, e uma cor quase sempre avermelhada, amarronzada, enegrecida, sendo culturalmente chamado de demônio, satanás, lúcifer, belzebu. Para os cristãos essa figura habitava o inferno, um local subterrâneo habitado onde os mortos e pecadores eram levados.

Nas antigas religiões da Pérsia, Egito e Índia também havia a crença na imortalidade da alma, bem como um lugar reservado para os considerados pecadores. Nessas crenças, deuses tinham os seus mitos, e a sua justificativa social. 

Na mitologia grega, por exemplo, Hades era o deus do mundo subterrâneo, lugar onde todas as almas seguiam após o desencarne. Na Terra de Hades, havia um lugar chamado de “Campos Elíseos” para onde iriam as almas “boas”, e havia outro lugar chamado “Tártaro” para onde iriam as almas “ruins”. O Tártaro era um lugar, de trevas, medo e sofrimento eterno que em muito se assemelha ao que os cristãos descrevem como sendo o inferno.

Já, entre os povos do norte da Europa (os bárbaros), a crença na reencarnação dos seres humanos já era mais comum. E podemos achar ali uma outra forma de interpretação da morte e de divindades que acompanham esse processo. Eles desprezavam o conceito de “demônios” e tinham suas próprias representações iconográficas acerca de suas divindades, e eram construídas estátuas e monumentos, quadros eram pintados, e ambientes eram decorados com motivos religiosos para o culto aos deuses antigos.

Estes deuses podiam ser representados com uma imagem humana ou de algum animal dito especial. Alguns desses deuses tinham uma representação bem peculiar, tais como Cernunnos, o deus cornífero. Cernunnos tinha cifres em sua forma humanóide, e podia ter também a forma de um touro (ou algum animal forte e portador de chifres). Ele era um deus do panteão celta (povo europeu antigo), considerado como protetor e senhor das florestas. Segundo a Wicca, o Deus Cornífero nasceu da grande Deusa, divindade suprema para os wiccanianos, representada por várias faces; o Deus Cornífero era protetor dos pastores e dos rebanhos.

São inúmeras influências culturais que forneceram aos cristãos elementos para montarem sua cosmologia de mundo. O céu e o inferno cristão é como um quebra cabeça onde cada peça nos remete a uma cultura antiga diferente. Muitas dessas influências chegaram até antes de Cristo, antes mesmo do antigo testamento hebreu ser formulado.

É importante evidenciar que o antigo testamento começou a ser montado (200 a.c) quando Ciro (Imperador Persa) libertou o povo hebreu do exílio na Babilônia. A religião persa nessa época era o Zoroastrismo, uma crença maniqueísta caracterizada pelo dualismo ético, cósmico e teogônico que implicava na luta primordial entre dois deuses, representantes do bem e do mal, presentes e atuantes em todos os elementos e esferas do universo, incluindo o âmbito da subjetividade e das relações humanas. Essa crença Zoroástrica, que era muito avançada cientificamente acabou por influenciar a perspectiva dos hebreus em diversos campos, não só na religião. Essa influência acabou por auxiliar no processo de construção da figura do Diabo dentro das religiões abraâmicas de um modo geral.

No zoroastrismo, o deus das trevas, da destruição, da morte, do mal e da desordem era a entidade Angro Mainyu, um precursor das ideias que dariam forma ao diabo cristão.


Além desses impactos culturais, que ajudaram a formatar a teologia cristã, há também ao longo do tempo um fenômeno de adulteração de nomes de determinadas divindades que apontam para o que chamamos de Diabo. Abaixo, algumas descrições que mostram a verdadeira origem desses nomes e as corruptelas linguísticas que desconstruíram seus significados e deformaram seus adjetivos.


DEMÔNIO E DIABO


A palavra demônio deriva de daemon, palavra grega que significa “Espíritos” e representam os Mentores (o nome dado no Kardecismo) que cuidam de cada pessoa durante sua encarnação. Segundo os ocultistas, toda pessoa possuía seu próprio Daemon, responsável por acompanhá-la e protegê-la em caso de perigo, na medida do possível. De seu nome surgiu a palavra Daemonium, e mais tarde “Demônio”.

Diabo vem de Diabolos, palavra cujo significado está atrelado a outra palavra bem conhecida: Símbolos. Diabolo para os gregos era o contrário de Símbolo.

Símbolo = o que une. Diábolo = o que separa.


SATANÁS


O diabo é também conhecido como Satanás, e a origem deste nome vem da tradução de Shaitan do hebraico, palavra que significa “Adversário”, “Opositor”. É uma palavra usada pelos povos antigos para designar qualquer povo que fosse oponente ao seu durante uma batalha e, mais tarde, estendido aos deuses destes povos. Na bíblia, costumam dizer que a palavra está associada a um ente misterioso que teria se rebelado e deixado de servir a Deus e que aparece em Ezequiel 28: 12 a 19.

12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.
 13 Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.
 14 Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.
 15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti.
 16 Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas.
 17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.
 18 Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem.
 19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá.

Satanás também aparece no livro de Jó, como o “adversário” que disputa com Deus para ver até quanto conseguiriam torrar a paciência do pobre do servo. Nessas passagens não aparece nada sobre chifres, patas de bode ou tridentes relacionados com o tal “adversário” na Bíblia. Apenas referências a deuses fenícios, babilônicos, touros de ouro e outras divindades. Com o tempo, crenças de outras religiões que cultuavam Deuses que não tivessem ligação ao cristianismo foi sendo vista como crença “adversária” (shaitan) e começaram a ser chamadas de “satânicas”, tidas enfim como crenças demoníacas.


LÚCIFER


Lúcifer (em hebraico, heilel ben-shachar, em grego heosphoros), representa a estrela da manhã, a estrela matutina, a estrela D’Alva, o planeta Vênus. Significa “o que leva a luz”, representando a estrela da manhã, o planeta vênus, que é visível antes do alvorecer. A designação descritiva de Isaias 14:4, 12, provém de uma raiz que significa “brilhar” (Jó 29:3), e aplicava-se a uma metáfora aos excessos de um rei de Babilônia, filho do rei Shachar, não a uma entidade em si. Os usos desta palavra no Velho testamento e no Novo Testamento são contextualizados de maneiras diferentes.

Isaías não falava do “Diabo”, mas usando imagens retiradas de um antigo mito cananeu, nos quais referia-se aos excessos de um ambicioso rei babilônico (para alguns, seria Nabucodonosor). O pecado associado a Vênus é a Luxúria e o rei ambicioso deixou-se levar pela luxúria e caiu dos céus de onde estava.

Na religião romana, Lúcifer ou Lucifurgo tinha as mesmas atribuições de Prometeus. Responsável por ter trazido a Luz (inspiração) dos deuses para os humanos, estaria condenado a permanecer com eles, sendo visto apenas durante a manhã ou ao cair da noite (tal qual o planeta que representava). Lúcifer numa tradução dos mitos antigos seria “aquele que traz a iluminação”.


BELZEBU


Na Mesopotâmia existia um deus chamado BAAL. Baal possuía os mesmos atributos de Zeus ou Odin. Era o pai celestial, senhor cósmico que vigiava a Terra e fulminava as pessoas com relâmpagos se fosse necessário. Era o deus da fartura e da fertilidade, em cuja morada ficava a cornucópia (aquele chifre que brotava comida em abundância) e assim por diante… O nome Baal deu origem a Beliel o qual vem referido até no novo testamento. Este personagem teve a sua origem muito anteriormente como o príncipe do mundo, título que lhe garantia uma superioridade em relação aos outros componentes da divindade desta época. Este deus era conhecido também por Enki - O Senhor da Terra.

Existem inúmeras referências a ele na Bíblia:

Números 22:41 (Os Hebreus tinha Altares a Baal)
Juízes 2:13 (o povo de Israel serviram Baal e Asterath)
Juízes 6:25 (Deus manda destruir o Altar de Baal)
1 Reis 16:31 (Jeroboão adora Baal)
1 Reis 18:19 (Desafio entre Yahweh, Baal e Asterath)
1 Reis 22:54 (Acazias adora Baal)
2 Reis 10:19-28 (Jeú arma uma cilada aos sacerdotes de Baal)
2 Reis 11:18 (Destruição do Templo de Baal)
2 Reis 17:16 (Novamente adoração a Baal)
2 Reis 23:05 (Referência aos adoradores de Baal, da Lua, do Sol e de outros planetas.)
2 Crónicas 23:17 (A morte de Matã o sacerdote de Baal)
Jeremias 2:8 (O profeta questiona o poder dos sacerdotes de Baal e outros deuses)
Jeremias 7:9 (Adoração a Baal entre pecados como o furto e o assassinio?)
Jeremias 11
Jeremias 12:16 (Juras por Baal)
Jeremias 19:05 (Sacrificios de Crianças a Baal)
Jeremias 23:13 (Samaritanos Loucos profetas de Baal)
Jeremias 32:29 (Os caldeus adoraram Baal)
Jeremias 32:35 (Outra referência ao sacrifício de Crianças)

Zebub é o nome hebreu para “As coisas que podem voar” ou, no sentido mais específico, os gênios do ar, silfos ou outras entidades astrais do ar e dos céus. Baal, como já vimos, significa “Senhor”. Desta maneira, Baal-Zebub significa “Aquele que é o senhor dos gênios elementais do ar”.

Belzebu como “Senhor das Moscas” surge da interpretação distorcida da bíblia do Rei Jaime (Igreja Anglicana) que chama Baal-Zebub de “Lord of the things that can fly” sendo que, em inglês, “fly” também quer dizer “mosca”. Então para justificar a aura “maléfica” de Belzebu, o associou a coisas repugnantes como moscas que voam sobre fezes e restos estragados.


CHIFRES


Para os cristaos, os chifres passaram a representar o Demônio, o cordeiro ou cabrito, que era sacrificado em redenção do pecado. Mas os chifres sempre foram sinais de algo Divino na antiguidade.

Na mitologia grega, Pã é representado sempre com chifres, orelhas e pernas de bode, trazendo características de fisionomia de um ser humano, bem como seu tronco também. Pã era o deus dos bosques, bem como também dos campos, dos rebanhos e dos pastores, sendo o protetor de tudo que tem relação com estas coisas. Segundo as lendas que compõem a mitologia grega, o deus Pã costumava residir nas grutas localizadas nas florestas, sendo também um andarilho que vagava pelas montanhas e pelos vales, sempre procurando por caça, ou então procurando por diversão, dançando com ninfas alegremente.  Por ser um verdadeiro amante da música, o deus Pã sempre é retratado em representações artísticas trazendo em suas mãos uma flauta, que costumava tocar alegremente para os animais da floresta.

O que pouca gente sabe é que o deus Pã, apesar de alegre e amante da música, também era muito temido por todos que precisavam atravessar florestas e bosques, especialmente quando estas travessias se davam à noite. As trevas e a solidão acabavam fazendo com que as pessoas ficassem aterrorizadas, com muito medo e sem explicação aparente, que quase sempre eram associados ao deus Pã. Por este motivo, a palavra pânico, que hoje se refere a este tipo de pavor repentino, acabou surgindo, derivando do nome desta divindade.

Pã também era o deus da fertilidade, da sexualidade masculina desenfreada e do desejo carnal. Como o nome do deus significava “tudo”, no mais amplo sentido da natureza: a fertilidade. Para os alquimistas e para os estudiosos da filosofia, Pã passou a ser considerado um símbolo do Universo e a personificação da Natureza; e, mais recentemente, representante de todos os deuses, daí surge a expressão panteísmo para designar crenças que acreditam em diversos deuses.

Os romanos tinham um panteão de deuses que foi, em sua maioria, “herdado” da cultura grega. Portanto, quase todos os deuses romanos possuem seus correspondentes gregos. Silvanos e Faunos eram divindades latinas cujas características são muito parecidas com as de Pã, que nós podemos considerá-las como o mesmo personagem com nomes diferentes. Entre os romanos, faunos eram deidades de florestas selvagens com pequenos chifres, pernas de cabra e um pequeno rabo. Eles acompanhavam o deus Faunos, eram alegres, habilidosos, e viviam sempre cantando e se divertindo. Faunos são análogos aos sátiros gregos.

Na Babilônia, o grau de importância dos deuses era identificado pelo número de chifres atribuídos a eles.

Moisés fora representado plasticamente com chifres na testa na estátua de Michelangelo, bem como o próprio Alexandre, o Grande, encomendara uma pintura do seu retrato, mostrando-se com chifres de carneiro na testa. Os antigos judeus conheciam esse simbolismo, recebido das mitologias circunvizinhas.



TRIDENTE


Com o tempo, o diabo também ganha alguns objetos de “ofício”, tais como o tridente, tumbas, caveiras, um cetro fálico, dentre outras coisas. Além disso, poderia ser representado numa carruagem de fogo puxada por bestas feras. Cresce a crença de que o diabo era o “senhor” da noite, dos prazeres “carnais”, e da morte.

Para entendermos a origem do tridente, temos que viajar de volta a tradição hindu. Ali, Shiva é o destruidor (ao lado de Brahma, o criador e Vishnu, o mantenedor). Na verdade Shiva destrói para construir algo novo, associado assim ao fenômeno da transformação e renovação. Suas primeiras representações surgiram no neolítico (4.000 a.C.) na forma de Pashupati, o Senhor dos Animais.

Assim como Kali, Shiva é o destruidor do Ego, dos defeitos e das podridões que precisam ser limpas em nossas almas para que possamos nos desenvolver.

O tridente mais antigo que se tem registo é o Trishula, a arma principal de Shiva, retratado aproximadamente 6.000 anos atrás. É com essa arma que ele destrói a ignorância nos seres humanos. Suas três pontas representam as três qualidades da matéria: tamas (a inércia), rajas (o movimento) e sattva (o equilíbrio). Eles também representam os três Nadis (Ida, Pingala e Sushumna) que correm ao lado da coluna e que são muito importantes no processo de circular a energia através dos chakras e pela Kundalini.

Portanto, para os Indianos e durante mais de 4.500 anos, o tridente foi o símbolo de sabedoria; uma arma sagrada que todos nós devemos sempre lembrar de carregar conosco.

Dos três deuses principais da mitologia grega (Zeus, Poseidon e Hades), Poseidon era o senhor dos grandes mares. A ele cabiam os domínios de todos os mares e, consequentemente, de todo o entorno nas quais o mundo estava contido (simbolicamente, os grandes mares do Abismo envolvem as sete esferas inferiores dentro da Árvore da Vida). Poseidon, portanto, representava o senhor dos limites, aquele que domina as águas do abismo, com um poder que originalmente era até superior ao de seu irmão Zeus.

Simbolicamente, enquanto Zeus possuía o Raio como arma principal, Poseidon era o detentor do Tridente, a chave para a libertação espiritual. O tridente era a arma mais importante de todas, pois era através dela que o ser humano conseguiria dominar os quatro elementos e se tornar senhor do seu Destino.

Como símbolo, o tridente era usado por todas as pessoas como símbolo de proteção. Talvez apenas ficasse no mesmo plano de popularidade que o Falo de Pã/Fauno ou do Pentagrama de Vênus/Astarte/Afrodite, símbolos que também sofreram duras alterações ao longo do tempo.

Foi só com o imperador Constantino, e com o fortalecimento político da Igreja Católica Apostólica Romana, que o tridente passou a fazer parte do arsenal de objetos associados ao diabo.


CONCLUSÃO


O “príncipe das trevas” é conhecido por muitos nomes na cultura ocidental. É claramente representado como o resultado da fusão de muitas crenças de diferentes culturas. Aparece na Bíblia Sagrada sob a forma da serpente  que seduziu Eva e Adão no paraíso, levando-os a comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, evento que remonta a época posterior ao exílio da Babilônia dos hebreus.

Herdou o tridente de Poseidon, o Deus dos mares; os pés de bode eram de Pã, e a aparência hedionda de Lúcifer só veio se concretizar a partir do fim do Império Romano (476 d. c.), quando a Igreja Católica passou a ocupar o vazio de poder deixado pela queda de Roma, época que a Europa se via mergulhada nas invasões “bárbaras”, sem contar com um poder sólido para garantir a ordem social. Foi preciso demonizar as crenças pagãs, para que a religião cristã se prestasse como nova ferramenta de poder e de controle sobre os diversos povos que viviam dentro das fronteiras do decaído império Romano; fornecendo uma base de cultura comum para um mundo extremamente diverso e conflitivo.

Para manter seu domínio sobre estas populações, durante o período que conhecemos como a "Idade das Trevas", a igreja resolveu personificar "a encarnação do mal"; passou então a representar em Lúcifer toda a maldade, os vícios, os pecados e os sofrimentos do mundo; e também a figura de um "demônio malévolo", comandante de uma legião de outras criaturas das trevas em luta eterna contra Deus, os santos e os anjos, para "corromper a humanidade", carregando-a para a perdição do pecado, afastando-a da "verdadeira Igreja de Cristo".

Isso tudo veio se prestar perfeitamente para dar consistência para o projeto de poder de uma igreja que ambicionava reerguer o Antigo Império Romano e unificar a fé e as crenças por todo o mundo.

Esse projeto funcionou, e o diabo promovido pelo cristianismo habita no inconsciente coletivo do ocidente.


Conforme a Doutrina Espírita, o Diabo não existe e na prática acaba sendo uma alegoria que o Homem utiliza para a personificação do mal; é um ser alegórico, resumindo em si todas as paixões más dos Espíritos imperfeitos. 

>> LEIA TAMBÉM "A DEMONIZAÇÃO HISTÓRICA DE EXU"

Fontes.

O Diabo Revelado - Laurence Gardner
http://www.deldebbio.com.br/
http://www.mortesubitainc.org
https://pt.wikipedia.org/

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