27 de jul. de 2018

O Catolicismo


A principal denominação religiosa cristã é a Igreja Católica que corresponde à maior comunidade cristã mundial. As doutrinas principais do catolicismo são: há um único Deus que subsiste em três pessoas, a Trindade Santíssima, existem céu e inferno, vida após a morte e o purgatório com diferentes estágios, determinando o destino dos fiéis com base em seus atos e obras em vida, com consequências no juízo final, designando-lhes a salvação ou a perdição eternamente.


A missa é seu culto principal, crê na transubstanciação (transformação do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo), com ordem litúrgica reafirmada por meio de 7 sacramentos que simbolizam a comunhão do fiel com a divindade: batismo, confirmação (crisma), eucaristia (santa ceia) ou comunhão, confissão de pecados, ordenação de sacerdotes (ordem), casamento (matrimônio) e extrema-unção. 

Administração eclesiástica: uma estrutura hierárquica rígida comandada pelo Supremo Pontífice, o Papa, ao qual se subordinam os cardeais, arcebispos, bispos, padres e toda a comunidade católica. Sua sede (Sé) central fica no Vaticano (Roma) e as igrejas que a compõem são paróquias, dioceses e arquidioceses, submissas à administração central e aos ensinamentos do Vaticano. 

Suas origens remontam ao início do cristianismo (século 1), com o nascimento de Jesus Cristo, filho de Deus Pai, nascido por obra do Espírito Santo, sendo o Filho de Deus encarnado entre os seres humanos para salvar esta humanidade da condenação eterna. A missão principal dos cristãos é a pregação dessas boas novas (Evangelho) e dos ensinamentos de Cristo para todo o mundo (evangelização). 

A Igreja cristã nascida na Palestina, em Jerusalém, em meio ao domínio do Império Romano, se expandiu rapidamente e acabou oficializada como a religião oficial do Império no século 4, expandindo-se em toda a Europa, África e partes do Oriente até o final da Antiguidade. 

No período Medieval, a expansão se estendeu até aos países bárbaros. Novos reinos foram se consolidando e a igreja passou a ser muito influente, rica proprietária de terras e poderosa. Mas, no final da Idade Média, ocorreram divisões e abalos em seu monopólio religioso, intelectual e político. Ocorreram as divisões descentralizando sua administração rígida, com algumas rupturas na sua trajetória. Uma das principais no século 11 devido às disputas internas entre o papa romano e o patriarca de Constantinopla, surgindo a Igreja Católica Apostólica Romana e de outro lado a Igreja Católica Ortodoxa. 

O catolicismo subdividido após vários Cismas ou cisões da Igreja Cristã, em 1054 englobou as dioceses ocidentais e orientais sob o governo de Roma, enquanto o Oriente seguiu o Patriarca de Constantinopla. O catolicismo engloba a Igreja Católica Latina, a Maronita, a Siríaca e outras, com pequenas diferenças litúrgicas e em suas regras de disciplinas. 

Os movimentos “heréticos” fizeram surgir a Inquisição e perseguições religiosas; com a descoberta das Américas, veio a evangelização-colonização das novas terras. Também os movimentos separatistas, como a Reforma Protestante do século 16, balançaram as estruturas da Igreja Romana que precisou se reformar também (Contrarreforma). 

Nos séculos 18 e 19, o iluminismo e revoluções liberais fizeram o Catolicismo perder muito poder em questões políticas. A necessidade de estados laicos (leigos) levou à restrição da Igreja meramente ao campo religioso. Outra refutação veio com o movimento comunista, proibindo práticas religiosas. Com isso, no século 20 o catolicismo precisou renovar profundamente suas práticas na década de 1960 (Concílio Vaticano II), com nova postura institucional, voltada às questões sociais, menos favorecidos e causas populares. Têm ocorrido tentativas de readequação e retomada de protagonismo em questões espirituais, sociais e políticas, transformando-se ao longo de todo esse tempo.





Por Armando Araújo Silvestre
Pós-doutorado em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário