26 de abr de 2017

A História de W.W. da Matta e Silva


Há muitas divergências a respeito da data de nascimento de Matta e Silva (Woodrow Wilson da Matta e Silva). Segundo o prefácio da Livraria Freitas Bastos em sua 3ª edição de “Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda” e 6ª edição de “Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto Velho”, a data de seu nascimento é 28 de julho de 1916. Já no livro “Umbanda Brasileira – Um século de História” de Diamantino Fernandes Trindade, consta a data de 28 de julho de 1917 e nas obras do autor Francisco Rivas Neto consta 28 de junho de 1917.

Foi para o Rio de Janeiro aos 5 anos de idade. Entre 12 e 13 anos passou a vivenciar fenômenos mediúnicos, através de visões de Entidades, aos quais ele não compreendia. Sua primeira manifestação mediúnica ocorreu aos 16 anos com a incorporação de Pai Cândido. Nessa época, era auxiliar de redação de um periódico carioca e morava em uma república no centro do Rio de Janeiro.

Aos 17 anos iniciou sua busca por um local para o desenvolvimento de seu trabalho mediúnico, passando a visitar diversos terreiros. Entretanto, a Entidade Espiritual que lhe assistia lhe avisava que ele teria sua própria casa espiritual.

Matta e Silva relata à página 14 de sua sétima obra “Umbanda e o Poder da Mediunidade”:

“...Sempre tive uma tendência irrefreável, desde muito jovem, 16, 17 anos de idade, que me impulsionava a ver as chamadas “macumbas cariocas”. Claro está que não estava ainda conscientizado do “por que” de semelhantes impulsos (se bem que, desde 9 anos de idade éramos acometidos por fenômenos de ordem espírito-mediúnicos e aos 16 anos já acontecia a manifestação espontânea de nosso “Preto Velho”, que baixava num quarto onde morávamos, na Rua do Costa, nº 75)...”

Em 1937, com apenas 21 anos, passa a residir na Pavuna, onde montou seu primeiro terreiro.  

Matta e Silva era conhecido como uma pessoa de personalidade forte, de sensibilidade aguçada, muito inteligente, atualizado quanto as atualidades de sua época e com grande cultura em diversas áreas do conhecimento. Tinha a mente aberta, não gostava de ser endeusado por seus seguidores e tinha hábitos simples. Era um bom pai de família e com um peculiar senso de humor nordestino que só se manifestava entre amigos.

Era um médium crítico, que pesquisava e escrevia muito sobre Umbanda e espiritualidade. Autor de 9 obras importantes que revelam o hermetismo na Umbanda estimulando estudos e reflexões que revolucionaram os conceitos doutrinários umbandistas.

Durante meio século se dispôs a visitar centenas de terreiros para poder relatar em suas obras o que se passava dentro do “Movimento Umbandista”.

A partir de 1954, Pai Guiné de Angola começa a direcionar sua vida mediúnica. Nessa época, recebe desse “Preto-velho” a mensagem “Sete Lágrimas de Pai Preto”, que seria um dos marcos da renovação da Doutrina Umbandista. Nesse mesmo ano passou a escrever para o “Jornal de Umbanda”, onde publicou inúmeros artigos. Mesma época em que iniciou também a obra que viria a se transformar em um dos seus livros mais lidos “Umbanda de todos Nós”.

“Umbanda de Todos Nós” foi lançada em edição paga pelo próprio autor, através da Gráfica e editora esperanto, a qual se situava na época, à Rua General Argolo, 130, Rio de Janeiro. A primeira edição saiu com 3.500 exemplares e rapidamente se esgotou. A partir da segunda edição a obra foi lançada pela Livraria Freitas Bastos, a mesma que até hoje reedita suas obras.

A época de suas edições, “Umbanda de Todos Nós” agradou a muitos umbandistas, que nela encontraram fundamentos e escritos doutrinários com determinada profundidade. Por outro lado, este livro incomodou muita gente, que combateram veementemente as suas exposições e perspectivas a respeito da Umbanda. O fato é que esse combate contra sua obra ajudou a promovê-la ainda mais.

Em 1957, orientado por Pai Guiné e através da Editora Esperanto lançou “Umbanda – Sua Eterna Doutrina”, que abordava conceitos esotéricos e metafísicos. Para complementar e ampliar os conceitos tratados em Sua Eterna Doutrina, Matta e Silva lançou, pouco tempo depois, a obra Doutrina Secreta da Umbanda.

Apesar de suas obras serem lidas e estudadas pelos adeptos e estudiosos do Ocultismo, seu Santuário em Itacuruçá era frequentado pelos simples e humildes que nem desconfiavam ser o Velho Matta um escritor de renome no meio umbandista.

Em seu santuário junto à natureza, Matta e Silva escreveu em 1961 outra de suas importantes obras chamada: “Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto-Velho”, obra mediúnica que apresenta um diálogo entre um Filho-de-Fé, Cícero (Cícero Faria de Castro, médico e estudioso) e a Entidade espiritual que se diz Preto-velho (Pai Guiné). Esta obra apresenta uma maior facilidade de entendimento para grande parte dos umbandistas referente os ensinamentos contidos nas obras anteriores.

A Choupana do Velho Guiné, em Itacuruçá estava lotada quase todos os dias. Lá eram atendidas pessoas de Itacuruçá e das mais longínquas regiões do Brasil. Lá, os dramas do ser humano eram tratados á Luz da Razão e da Caridade. Durante 10 anos o Velho Matta atendeu pessoas da região e das ilhas próximas, ministrando remédios da flora local e alopatias simples que ele mesmo comprava quando ia á cidade do Rio de Janeiro.

Seguindo sua tarefa missionária, Matta e Silva escreveu sua quinta obra com o título de: “Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda” que relata de forma simples e objetiva as raízes míticas da Umbanda, aprofundando-se no sincretismo dos Cultos Afro-Brasileiros. Em seguida surge à sexta obra chamada “Segredos da Magia da Umbanda e Quimbanda” que aborda a magia Etéreo-Física e revela de maneira simples e prática de determinados rituais seletos da Magia de Umbanda.

Sua sétima obra, “Umbanda e o Poder da Mediunidade” explica como e porque ressurgiu a Umbanda no Brasil, abordando as origens da Umbanda e ângulos a respeito da Magia. Adentra a parte doutrinária tratando de assuntos como mediunidade, magia sexual, lei de salva, lei de pemba, elementares, etc. Há também explanações importantíssimas sobre o Reino Virginal, Confraria dos Espíritos Ancestrais, Corrente Astral de Umbanda, Governo Oculto do Mundo e Cabala.

Em 1967 lança o livro “Doutrina Secreta de Umbanda”, que conforme o autor foi produto de fatores mediúnicos. A corrente astral que o assistiu na elaboração da obra era liderada por uma Entidade que se apresentava na clarividência sob a forma de um velho índio, paramentado como se fosse um velho pajé da antiguidade e que se identificou como Caboclo Payé.

Considerado um tratado filosófico profundo e conciso, o livro Doutrina Secreta da Umbanda, definia de forma mais clara e objetiva os Postulados da Corrente Astral de Umbanda, cujos conceitos foram anteriormente apresentados em “Umbanda – Sua Eterna Doutrina”.

Muitos pedidos dos simpatizantes e adeptos de suas obras fizeram com quem Matta e Silva lançasse em 1969, o livro que pudesse sintetizar e simplificar os livros anteriores. Esse livro recebeu o nome de: “Umbanda do Brasil” e esgotou-se em seis meses.

Em 1975, o Grande Mestre lançava sua última obra com o nome de Macumbas e Candomblés na Umbanda. Esse livro, documenta o que ficou em matéria de sobrevivência religiosa, mítica e ritualística dos cultos africanos no Brasil.


Conhecido também como Mestre Yapacani (que era na realidade o nome de seu mentor espiritual), foi fundador da Tenda de Umbanda Oriental, fixada na Terra da Pedra da Cruz – Itacuruçá/RJ. Tenda essa a qual veio se tornar a Primeira Escola Iniciática de Umbanda Esotérica do Brasil. Segundo relatos, a Tenda existiu durante pelo menos 40 anos. De 1938 a 1957 na Pavuna e de 1967 a 1988 em Itacuruçá.

O terreiro de Itacuruçá tinha uma construção simples e humilde, em um prédio de 50m2. A área reservada aos rituais tinha o piso de areia e a área reservada aos consulentes tinha alguns poucos bancos.

Além de Pai Guiné de Angola e de seu mentor Yapacani, Matta e Silva era assistido por outras Entidades como o Caboclo Juremá, Caboclo Pedra Preta, Caboclo Ogum de Lei, Caboclo Guaracy, Pai Chico, Pai Mané Carrero, Zé Pretinho, Zambetinha, Exu Senhor das 7 Encruzilhadas e a Pomba Gira Sialú.

Durante a divulgação de seus livros e no decorrer dos anos subsequentes, muitos foram o umbandistas que para lá se dirigiram de várias partes do Brasil. Lá buscavam ajuda ou afiliação espiritual que pudesse legitimar suas jornadas dentro da Umbanda. Todavia, a maioria que ali frequentava, não enxergava a  TUO como uma escola iniciática apenas, mas sim como um Pronto Socorro Espiritual para aflitos, desesperançados e os doentes.

Ainda é difícil dar uma definição exata a respeito do papel que Matta e Silva desempenhou na Umbanda. Suas obras continuam sendo lidas por muitos, estudadas por poucos e assimilada por uma minoria. Mas temos de reconhecer acima de tudo o seu valor histórico dentro da formação cultural umbandista.

Desencarnou Rio de Janeiro em 17 de abril de 1988. Seus escritos, bem como sua trajetória mediúnica de mais de 50 anos de trabalho redefiniram a Umbanda e deram à religião fundamentos, normas e um sistema de ordenação lógico e racional, sedimentando o conhecimento dos devotos e fiéis que nela expressam sua fé.
  
Referências:
  • umbandadobrasil.com.br
  • mandaladosorixas.blogspot.com.br (Diamantino Trindade)
  • temploespiritaogumege.blogspot.com.br (Patrick Fontoura)




Um comentário:

  1. Gostei do blog. Vejam esse vídeo onde Eliane Maciel (Aline) agradece aos índios e analisa o momento atual em que o mundo vive!
    https://www.youtube.com/watch?v=dfBcqGULJWQ

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