23 de nov. de 2015

Zé Pelintra: Malandro ou Marginal?

Esta é uma questão fundamental para entendermos de uma vez por todas o mistério de Sr. Zé Pelintra.
Se você procurar a palavra Pelintra no dicionário , lá estará:

Significado de Pelintra;

s.m. e s.f. Pessoa pobre e mal trajada, com pretensão a exibir-se e desejo de ostentação. Adj. Mal trajado e pretensioso. Bras. Adamado; bem trajado.
Fonte: Dicionário online português

Esta é uma definição literal e ajuda a confundir a cabeça de todas as pessoas que tentam entender Zé Pelintra ao pé da letra.


Um mistério, uma falange de Umbanda, que é fundamentada e sustentada por mistérios divinos, nunca deve ser interpretada no que diz respeito ao nosso racional frio e pseudo intelectual.  O nome Pelintra, por exemplo, no dicionário quer dizer uma coisa, mas no simbolismo sagrado quer dizer outra completamente diferente.

‘Pessoa pobre e mal trajada…’ Para nós, o preconceito com a classe menos favorecida é latente. Desde do início da raça humana, creio eu, os menos afortunados são tidos como inferiores e maltrapilhos, como a ralé onde apenas por serem simples de posses e vestimentas são tidos como inferiores diante do abastado e poderoso revestido de seda e puro linho.

Se Zé Pelintra, enquanto mestre de Jurema, sempre foi de vestimenta simples. Porém, ostentava seu tesouro desde o início: a alegria e a versatilidade em seus trabalhos, onde tinha condições de transitar em todos os níveis vibratórios para ajudar a quem o procurava.

Por isso, lá na Jurema era conhecido como Malandro, porque era amigo de todos e para ele nunca existiu e nem existirá portas fechadas seja na fumaça da Esquerda ou na fumaça da Direita.
Malandro este que quando migrou para as Macumbas Cariocas, sua passagem definitiva para a Umbanda, logo foi revestido da vestimenta do antigo malandro, chique, garboso, ostentador, porém, sempre simples e muito trabalhador como sempre.

Zé Pelintra é um mistério que quebra todo e qualquer preconceito ou a maioria deles; Ele é simples e ao mesmo tempo muito complexo e, por isso, muitas vezes fica difícil entender por completo este Guia que hoje é amado por milhares de umbandistas em todo o mundo.

Sua figura principal é a de um senhor de meia idade mulato ou negro, que usa um terno branco, gravata vermelha e chapéu com fita vermelha acompanhado por um sapato bicolor vermelho e branco com camisa também branca.

Etá longe de ser um marginal, mas representa todos os que se sentem marginalizados por preconceitos, sejam eles de que origem forem, pois seu próprio nome já é repleto de simbolismo acerca deste seu trabalho, o de recuperar a autoestima e ajudar os que mais necessitam e, acima de tudo, resgatar espíritos encarnados ou não da marginalidade que muitas vezes são colocados por uma sociedade moralista, preconceituosa e inflexível com quem não se adapta de alguma forma aos seus mandamentos de viver como um robô pré programado onde apenas se obedece e nunca se escuta a própria natureza.

Zé Pelintra veio para nossa religião que, por natureza, é uma religião plural e destruidora de tabus e preconceitos, para mostrar que bom é aquele que confia em si, levanta a cabeça e caminha.
Talvez por isso que Sr. Zé é Pelintra, para provar que mesmo aos olhos dos moralistas e preconceituosos de plantão, Ele pode se vestir como malandro, ser boêmio e dançarino, sorrir e curtir a vida e, mesmo assim, ter a Luz que muitos tentam alcançar através de atos que para eles significam pureza mas que não alcançam porque não tem uma coisa que Sr. Zé ensina a todos: Deus é alegria, satisfação e vida!

De que adianta vestir batas e ostentar jejuns se pelo coração e pela boca só saem julgamentos e ódio por todos os que não seguem suas doutrinas?

Sr. Zé vem todo paramentado e em cada parte de seu paramento há um simbolismo e um significado, mas isso abordarei mais adiante.  Mas espero que fique claro que a malandragem de Sr Zé é divina, e a marginalidade que insistem em falar que Sr. Zé pertence está no coração de quem não entende os mistérios de Deus e, por ignorância, imputam ao diferente e ao inovador, seja na espiritualidade ou na vida de uma maneira geral.


Trecho retirado do livro Zé Pelintra – A Revelação, Capítulo 2, de Marcel Oliveira

Um comentário:

  1. Eu sigo e acredito muito no Sr.ZÉ Pilintra, meu amigo leal, mas padrinho e meu.protetor. Agradeço sempre.por.sua proteção e companhia. Texto perfeito

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