30 de nov de 2015

Mulheres nos Terreiros

Irmãos leitores,

Houve época em que as médiuns eram proibidas de ser diri­gentes espirituais, sacerdotisas, mães, etc, mesmo que elas já estives­sem preparadas. Nesta época elas não podiam ser ogãs, ou seja, aquelas que tocam ou assu­­mem a responsabilidade da Curim­ba (atabaques) do Terreiro.

Assim que soubessem da sua gravidez eram afastadas, pois as mes­mas não poderiam trabalhar na corrente. E quando essa mulher incorporava, Guias masculinos precisavam amarrar-lhe um pano em seu corpo para blo­que­ar as energias femininas.

As mesmas não podiam trabalhar em seus Terreiros quando estavam menstruadas, justificando que seus cor­pos es­tavam abertos e, assim sendo, im­puros.  As indiferenças, os preconceitos, pres­sões e humilhações foram atitudes vindas de uma socie­dade machista que jul­gava-se superior, que refletiam na época, na vida espiritual, social e afe­tiva. Mas, mesmo assim, a mulher con­fiou na dua­lidade de Pai/Mãe Olorum e, prin­ci­pal­mente, tempo/evolução.

Quero acreditar que os tempos mu­daram, evoluíram, e que as mulheres estão sendo consideradas médiuns in­depen­dente do seu estado; que fazem parte do corpo mediúnico de um Terreiro em igual­dade com os demais.

Desde os primórdios da Umbanda, as mulheres podiam incorporar Orixás mas­culinos e também Guias como Caboclos, Pretos Velhos, Baianos, Boiadei­ros, Marinhei­ros, Ciganos, Exu e Exu Mi­rim, e já tinham como guia chefe, men­­tor ou guia de frente uma entidade mas­culina. São tantas as mulheres, senho­ras, meninas, moças, idosas que trabalham que, se formos analisar, hoje a maioria dos Terreiros é composta por um número maior de mulheres médiuns.

Muitas mulheres são tão guerrei­ras, líderes, inteligentes quanto os ho­mens. Não há diferença para Pai/Mãe Olorum, pois na sua dualidade gerou de seu interior seres masculinos e seres femininos, com o mesmo princípio e genética, os criou e os dotou com qualidades e atributos iguais.

Tem pai sacerdote, dirigente espi­ritual, que até hoje não incorpora Orixás femi­ninos, como também não incorpora Ca­bocla, Preta Velha, Cigana, Erê fe­minino, Pombagira e Baiana.

Muito raramente você encontra em Terreiros um dirigente masculino tendo como mentora, guia chefe ou guia de fren­te uma entidade feminina.  Nós umbandistas reclamamos da discriminação, do preconceito, da falta de respeito com as nossas práticas religiosas, porém falta entendimento mútuo para os próprios umbandistas.

E quando um dirigente espiritual rompe estas barreiras preconceituosas e pratica a doutrina umbandista com igual­dade, é considerado no próprio meio um inconseqüente, e passa a ser visto como um adversário.

Os fundamentos umbandistas e as leis que regem a base ritualística não ditam que homens e mulheres tenham atitudes diferenciadas dentro dos Terrreiros.   Apesar de tudo, e graças ao Divino Trono do Tempo, tudo na vida renova-se e evolui, pois é uma lei natural gerada e criada pelo Divino Pai/Mãe Olorum.

Enquanto houver pessoas que acre­ditam na igualdade do ser humano e sabem que a dualidade de Pai/Mãe Olo­rum é infinita, continuarão praticando e respei­tando as suas leis imu­táveis que são eter­nas. Enquanto os seres humanos acre­ditarem na sua igualdade e na dualidade de Pai/Mãe Olorum, continuarão a ma­nifestar de seu íntimo o amor incondi­cional. 

Parabéns Pai/Mãe Olorum.

Um grande abraço.


Por: Monica Berezutchi; Sacerdotiza do Templo da Luz Dourada

Um comentário:

  1. Pirro concordo com o q vc escreveu e deixo aqui o meu registro d q tenho duas entidads femininas d frent uma pombagira e uma baiana e me sinto mto feliz completo e realizado por trabalhar c elas. Sarava umbanda!

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